segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ABAIXO O MITO DA DEMOCRACIA RACIAL


Implementação da lei 10.639/2003: abaixo o mito da democracia racial

Gildo Alves Bezerra

“(...) a memória coletiva é não somente uma conquista,

É também um instrumento e objeto de poder”.

Jacques Le Goff

 

No cenário de negação das condições de efetivação para a implementação das leis 10.639/03 e 11.645/2008. Faz sentido perceber o quanto a luta pela construção da memória coletiva é não só uma conquista, mas também instrumento e objeto de poder fundamentais na transformação do cenário de exclusão que os negros e índios estão submetidos. Faz mister perceber a educação na perspectiva que a cultura e o currículo como relações de poder.

Seguindo essa perspectiva servira para desconstrução do mito da democracia racial. Como nos diz Tomaz Tadeu da Silva “as relações sociais no interior das quais se realizam as práticas de significação não são simplesmente relações sociais; elas são mais do que isso: são relações de poder”. Então, em uma sociedade que segue um modelo etnocêntrico não pode negar que “os diferentes grupos sociais não estão situados de forma simétrica relativamente ao processo de produção cultural, aqui entendido como processo de produção de sentido”, (Silva). Portanto, A mudança na educação tirando de foco o eurocentrismo e colocando como protagonistas os negros e índios com a efetivação da educação para relações étnico-raciais novos cenários e atores aparecerão na construção de uma sociedade para igualdade social. Levando por terra o mito da democracia racial.

Então, é fundamental perceber a discriminação racial existente em nossa sociedade através do sistema de ensino:

“De fato, não se trata de um conflito entre indivíduos, mas entre o Estado e uma parcela significativa da população brasileira - ao menos metade dos brasileiros (as), segundo o IBGE. Ademais, tão ou mais importante do que punir comportamentos individuais, necessitamos de políticas públicas, políticas educacionais que assegurem eficácia ao princípio da igualdade racial”.

Mais do que punir, podemos e devemos prevenir. Mais do que combater a discriminação, devemos promover a igualdade.

Para a promoção da igualdade caberá aos sistemas de ensinos, às mantenedoras, à coordenação pedagógica dos estabelecimentos de ensino e aos professores, com base neste parecer, estabelecer conteúdos de ensino, unidades de estudos, projetos e programas, abrangendo os diferentes componentes curriculares. Caberá, aos administradores dos sistemas de ensinos e mantenedoras prover as escolas, seus professores e alunos de material bibliográfico e de outros materiais didáticos, além de acompanhar os trabalhos desenvolvidos, a fim de evitar que questões tão complexas, muito pouco tratadas, tanto na formação inicial como continuada de professores, sejam abordadas de maneira resumida, incompleta, com erros.

Entretanto, devemos refletir a partir da seguinte passagem contida nas Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais: “O sucesso das políticas públicas de Estado, institucionais e pedagógicas visando as reparações, reconhecimento e valorização da identidade, da cultura e da história dos negros brasileiros depende necessariamente de condições físicas, materiais, intelectuais, afetivas favoráveis para o ensino e para aprendizagens; Em outras palavras, todos os alunos negros e não-negros, bem como seus professores precisam sentir-se valorizados e apoiados”. Será que estamos fazendo um bom uso da arma que é a educação? Estamos exigindo que os administradores dos sistemas de ensino execute seu papel para a viabilização da educação para diversidade étnica? Não podemos transferir a responsabilidade pela implementação da educação para as relações Étnico-Raciais apenas para o estabelecimento de ensino e muito menos para apenas um professor de um componente curricular.

            Há dez anos que “o ensino de História da África tornou-se obrigatório no currículo escolar.  Materiais didáticos com conteúdo exclusivo de História da África, escrito por especialistas no assunto, têm sido desenvolvidos. No entanto, temos que nos perguntar o que os professores – especialmente os que têm mais tempo de profissão – já conhecem sobre, e o que esperam de um ensino de História da África”. A partir da assertiva anterior fica mais claro a necessidade que o poder público atenda a determinação do seu papel “caberá, aos administradores dos sistemas de ensinos e mantenedoras prover as escolas, seus professores e alunos de material bibliográfico e de outros materiais didáticos, além de acompanhar os trabalhos desenvolvidos (...)”.

 Vamos construir uma reflexão a partir da Obra de Fernando Sá, “Combates entre História e Memórias”, “(...) ao elaborar aquilo que deve se ‘memorável’ na sociedade, o discurso sobre a memória, seus usos e práticas, ocupa lugar proeminente nas diferentes teorias contemporânea, assumindo, inclusive, uma dimensão política muito forte para as chamadas minorias étnicas, mulheres, ambientalistas, homossexuais, no mundo atual, pois o passado revela não somente o que ocorreu, mas que o passado é constituído, em grande medida, pelos atores sociais em luta no presente, sendo modelado através de formas de erosão, esquecimento e invenções seletivas”.

 

            Vejam o que nos diz  A Revista Paulo Freire - É preciso contar outra versão da história:

PALMARES

A cultura e o folclore são meus

Mas os livros foi você quem escreveu

Quem garante que Palmares se entregou

Quem garante que Zumbi você matou

Perseguidos sem direitos nem escolas

Como podiam registrar suas glórias

Nossa memória foi contada por vocês

E por isso temos registrados em toda história

Uma mísera parte de nossas vitórias

É por isso que não temos sopa na colher

E sim anjinhos pra dizer que o lado mal é o candomblé.

 

Portanto, cabe a cada um de nos perceber qual é o papel que desempenharemos na construção de uma vida democrática ou se estamos satisfeitos com o cenário de discriminação produzido pelos entes da federação: Estado, município e governo federal.

Através dos seus sistemas de ensinos. Ou seguiremos o que nos ensinou dois grandes pensadores: “a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo”, NELSON MANDELA e “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, PAULO FREIRE.

 

Por que será que durante muito tempo João Cândido teve como monumento apenas as pedras do cais? Como nos dizem os poetas João Bosco e Aldir Blanc:

“(...) Glória a todas as lutas inglórias

Que através da nossa história

Não esquecemos jamais!

Que tem por monumento

As pedras dos cais (...)”.

 

domingo, 8 de setembro de 2013

Reflexão de ontem e hoje!


Pedro pedreiro

Chico Buarque, 1965

Pedro pedreiro penseiro esperando trem

Manhã, parece, carece de esperar também

Para o bem de quem tem bem

De quem não tem vintém

Pedro pedreiro fica assim pensando

Assim pensando o tempo passa

E a gente vai ficando pra trás

Esperando, esperando, esperando

Esperando o sol

Esperando o trem

Esperando o aumento

Desde o ano passado

Para o mês que vem

__________________________

Pedro pedreiro penseiro esperando trem

Manhã, parece, carece de esperar também

Para o bem de quem tem bem

De quem não tem vintém

Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande do bilhete da federal

Todo mês

Esperando, esperando, esperando

Esperando o sol

Esperando o trem

Esperando aumento

Para o mês que vem

Esperando a festa

Esperando a sorte

E a mulher de Pedro

Está esperando um filho

Pra esperar também

Pedro pedreiro penseiro esperando trem

Manhã, parece, carece de esperar também

Para o bem de quem tem bem

De quem não tem vintém

Pedro pedreiro está esperando a morte

Ou esperando o dia de voltar pro norte

Pedro não sabe mas talvez no fundo

Espera alguma coisa mais linda que o mundo

Maior do que o mar

Mas pra que sonhar

Se dá o desespero de esperar demais

Pedro pedreiro quer voltar atrás

Quer ser pobre e nada mais

Sem ficar esperando, esperando, esperando

Esperando o sol

Esperando o trem

Esperando o aumento para o mês que vem

Esperando um filho pra esperar também,

Esperando a festa

Esperando a sorte

Esperando a morte

Esperando a norte

Esperando o dia de esperar ninguém

Esperando enfim nada mais além

Da esperança aflita, bendita, infinita

Do apito do trem

Pedro pedreiro pedreiro esperando

Pedro pedreiro pedreiro esperando

Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem

Que já vem, que já vem, que já vem (etc.)

 

 

 

sábado, 7 de setembro de 2013

Quem é excluido?


Exclusão galopante

Gildo Alves Bezerra

 

O passado é tão distante?

A exclusão não segue a forma de antes.

Mas, o conteúdo ainda é galopante

Quem ainda é excluído como antes?

                   Por que a voz da casa-grande

                   É tão ecoante?

 Mesmo o desejo de liberdade

E igualdade não sendo dissonantes!

Como alguém disse antes

“Liberdade, liberdade

Abra as asas sobre nós

E que a voz igualdade

Seja feita a nossa voz”.

                                  Passado e presente

                                  Não estão assim tão distantes!

                                  O sonho do poeta

                                  Ainda, não se realizou.

                                  A batida do tambor

                                  E a ginga ao som do agogô

                                  Em condições de igualdade

                                  Ainda, não se realizou.

 

 

 

A resistência sempre existiu

Em movimentos que desejavam

Mudar esse Brasil:

A Conjuração Baiana,

A revolta do Malês,

O Quilombo dos Palmares,

O Mestre-Sala dos Mares etc.

                      Mas, a casa- grande

                      E o “mito da democracia racial”

                      Existiu! Persistiu!

A igualdade

É a forma de transformar

Nosso Brasil.

Não adianta escamotear

As contradições que sempre existiram.

Independência é na batida do tambor

É no tempo e contratempo

Seguindo o ritmo do agogô,

O pulsar do meu coração

Libertando nosso povo

Da opressão e exclusão.

                             Tudo isso, só com uma educação de qualidade social

                             Para que jamais nosso povo

                             Possa acreditar no “mito da democracia racial”.

E que a independência

É nosso povo tendo vez e voz.

E nos bancos escolares

Não apenas ser contado à história de nossos algozes.

                 As vozes da África

                 Devem ser nossa voz

                 Seja no terreiro

                 No Brasil inteiro

                 Qual é a Mama África

                 Que existe em nós?       

                          

 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

GABINETE DO MINISTRO

PORTARIA NORMATIVA No- 21, DE 28 DE AGOSTO DE 2013
Dispõe sobre a inclusão da educação para

as relações étnico-raciais, do ensino de História

e Cultura Afro-Brasileira e Africana,

promoção da igualdade racial e enfrentamento

ao racismo nos programas e ações

do Ministério da Educação, e dá outras providências.


O MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, no uso das

atribuições que lhe foram conferidas pelo art. 87, parágrafo único,

inciso IV, da Constituição; e pelo art. 9o, II, do Decreto no 7.824, de



11 de outubro de 2012, e

CONSIDERANDO o estabelecido na Lei no 10.639, de 9 de



janeiro de 2003, que tornou obrigatório a inclusão do ensino sobre a

História da África e dos Afro-Brasileiros nos currículos escolares;

CONSIDERANDO o estabelecido na Lei no 12.288, de 20 de



julho de 2010, que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial;

CONSIDERANDO os propósitos expressos no Parecer

CNE/CP no 03/2004, de 10 de março de 2004, e na Resolução

CNE/CP no 01, de 17 de julho de 2004, homologada pelo Ministro da



Educação em 17 de junho de 2004, que instituiu as Diretrizes Curriculares

Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e

para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, e

orienta as instituições de ensino superior sobre a inclusão de referidas

temáticas nos cursos de graduação;

CONSIDERANDO o conteúdo do Aviso-Circular Conjunto

no 01, de 28 de dezembro de 2012, que determinou a inclusão do



quesito raça/cor nos registros administrativos do governo federal;

CONSIDERANDO a necessidade de promover a educação

de cidadãos atuantes e conscientes no seio da sociedade multicultural

e pluriétnica do Brasil, resolve:

Art. 1o Os programas e ações do Ministério da Educação



incluirão na formulação e na produção dos materiais didáticos e

paradidáticos, bem como nas linhas de ação e eixos temáticos a

educação para as relações étnico-raciais, o ensino de História e Cultura

Afro-Brasileira e Africana e promoção da igualdade racial e

enfrentamento ao racismo.

Paragrafo único. A exigência disposta no caput não se aplica

às ações e programas que abordem especificidades que não contemplem

a abordagem desta temática.

Art. 2o O Ministério da Educação instituirá a coleta do quesito



raça/cor nos instrumentos de avaliação, coleta de dados do censo,

bem como em suas ações e programas quando couber.

Parágrafo único. O preenchimento do campo denominado

raça/cor deverá respeitar o critério da autodeclaração, dentro dos

padrões utilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE) e que constam nos formulários dos sistemas de informações

da saúde (branca, preta, amarela, parda ou indígena).

Art. 3o As instituições federais vinculadas ao Ministério da



Educação, secretarias e autarquias terão o prazo de 90 (noventa) dias

para propor as medidas necessárias à incorporação dos requisitos

definidos na forma desta Portaria.

§ 1o A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização,



Diversidade e Inclusão (SECADI) coordenará a organização das propostas

em articulação com as secretarias e autarquias vinculadas ao

Ministério da Educação.

§ 2o Poderão ser convidados para a formulação das propostas



representantes de órgãos e entidades públicas e privadas, bem como

especialistas sobre a temática étnico-racial.

Art. 4o Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.




ALOIZIO MERCADANTE OLIVA

Ainda vai continuar negando a educação para as relações étnico-raciais?

Programas e ações educacionais incluirão relações étnico-raciais
O Ministério da Educação instituiu nesta sexta-feira, 30, em portaria normativa, que os programas e ações da pasta devem incluir a educação para as relações étnico-raciais, o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. No mesmo documento, o ministério dá prazo de 90 dias para que as instituições federais vinculadas, secretarias e autarquias proponham as medidas necessárias à incorporação dos requisitos agora definidos.
Na prática, a inclusão da educação para as relações étnico-raciais significa que essa temática deve estar presente na formulação e produção de materiais didáticos e paradidáticos, e nas linhas e eixos de ação que compreendem o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. O objetivo da medida é promover a igualdade racial e enfrentar o racismo.
A novidade é a instituição da coleta do quesito raça-cor nos instrumentos de avaliação do Ministério da Educação e no censo escolar. A portaria orienta que o preenchimento do campo raça-cor deverá respeitar o critério de autodeclaração, segundo os padrões utilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que já constam nos formulários do sistema de saúde – branca, preta, amarela, parda ou indígena.
Todas as ações a serem desenvolvidas para atender o objetivo da inclusão da educação para as relações étnico-raciais serão coordenadas pela Secretaria de Educação Continuada, alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), em articulação com as secretarias e autarquias vinculadas ao MEC.
Confira a Portaria Normativa nº 21, publicada no Diário Oficial da União de 30 de agosto de 2013, seção 1, página 9
(PORTAL MEC, 30/08/13)

O que é ser diferente?


Cede ou concede?

Gildo Alves Bezerra

 

  Direitos: Os administradores

Muitos ditadores,

Enganadores

Tentam passar

Que os direitos se dar,

Outorga-se, permite, admite etc.

                     Mas, a luta é que transforma

                     A nossa realidade de injustiça,

                     De negação de direitos.

A luta conduz

Os administradores a ceder:

Transferir a outros certos direitos;

Curvar-se a uma solução;

Entrar em acordo etc.

                           Só a luta transforma

                           Quem não se conforma com a miséria,

                           Injustiça, as desigualdades: social, étnico-racial.

                           Baseada numa sociedade desigual: hierárquica e violenta.

Nesta sociedade antidemocrática

Da hierarquia- quem seriam os ditos superiores, que mandam?

Quem seriam os ditos inferiores, que obedecem?

 

 

 

 

                   Por que nossa sociedade é violenta?

                   Não podemos aceitar “o mito da democracia racial”!

                   O Brasil é desigual- baseado no racismo, no machismo,

                   Discriminação religiosa e de classe social;

                   Desigualdades econômicas

                  Exclusões culturais e políticas.

                  Tudo isso, é autoritarismo social.

Então, como não perceber

Que em relação a educação.

Os administradores autoritários- Não vão conceder e sim ceder?-

Transferir a outros direitos; curvar-se a uma solução;

Entrar em acordo etc.

Então, só a luta pode acabar

Com a negação de direitos

De governadores e prefeitos.

                                             A luta por políticas públicas

                                             Só acontecerá quando percebermos

                                             Que a sua negação

                                             É uma exclusão.

E transformação só acontecerá com a união dos que lutam pela inclusão.

Saiam de suas zonas de conforto

A luta é coletiva

Vamos ter voz ativa.

                SER DIFERENTE!

                 É respeitar as políticas públicas:

                 Saúde, assistência social, geração de emprego e renda, cultura, educação etc.