quinta-feira, 7 de março de 2013

Mama África

Mama África
Chico César

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E  tem que
Fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas casas Bahia... (2x)

Mama África, tem
Tanto o que fazer
Além de cuidar neném
Além de fazer denguim
Filhinho tem que entender
Mama África vai e vem
Mas não se afasta de você...

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
nas casas Bahia...

Quando mama  sai de casa
Seus filhos de olodunzam
Rola o maior jazz
Mama tem calo nos pés
Mama precisa de paz...

Mama não quer brincar mais
Filhinho dá um tempo
É tanto contratempo
O ritmo de vida de mama...

Mama África
a minha mãe
é mãe solteira
e tem que fazer
mamadeira 
todo dia
além de trababalhar como empacotadeira
nas casas Bahia...(2x)

é do Senegal
Ser negão, Senegal...

deve se legal
ser negão, Senegal...(2x)

mama África
a minha mãe
é mãe solteira
e tem que
fazer mamadeira
todo dia
além de trabalhar
como empacotadeira
nas casa Bahia...(2x)


Mama África
A minha mãe
Mama África
A minha mãe
Mama África...

A ousadia poética se revela na criação do verbo “olodunzar”, no verso “quando mama sai de casa/seus filhos se olodunzam/ rola o maior jazz”. Ora se Olodum vem Olorum, o Deus supremo entre os Iorubas (que mora em Orum, o além, o infinito), não podemos esquecer que, para o Brasil atual, Olodum é música de negro.  Nara Lima
Ver livro ”o negro em versos - uma antologia da poesia negra brasileira”

Malungos

Malungos

Gildo Alves Bezerra

Não somos mais o companheiro
Durante a desafortunada  viagem
Dos navios negreiros.

O momento é outro
Mas, precisamos nos sentir
Como malungos.
Os mares são outros
Mais a tormenta da exclusão social, da desigualdade,
Da injustiça continua.

O  tumbeiro do momento é o deus mercado
Fragmentando as identidades do indivíduo e da nação
Visando o controle da consciência coletiva.

O indivíduo sozinho pouco
Representa em termos de exigir mudanças sociais.
Perdem-se as esperanças e o entusiasmo para ações coletivas.*

O deus mercado
Desqualifica todo o processo
De agrupamento social
Com propósito transformador.

Temos que perceber quem é que deseja ser o timoneiro
Do navio tumbeiro
Do deus mercado.

Aos sem-história e identidade resta comprar
O indivíduo sem identidade é um perdido
Ele não formará fileiras
Não ameaça o status quo. *

Voltemos ao passado
Para sermos companheiros
Malungos
Em defesa da igualdade e
da justiça social.

Em um céu todo estrelado
De sonhos, de alegrias
A partir da construção coletiva
Da socialização da produção econômica , política, social etc.

* Ver-Cuti.

Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós

Samba Enredo 1989 - Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós
G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense (RJ)
Seja sempre a nossa voz, mas eu digo que vem
Vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria mãe querida
O império decadente, muito rico incoerente
Era fidalguia e por isso que surgem
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem, no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão, vem viver
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí e da guerra
Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu, de cultura o Brasil
A música encanta, e o povo canta assim e da princesa
Pra Isabel a heroína, que assinou a lei divina
Negro dançou, comemorou, o fim da sina
Na noite quinze e reluzente
Com a bravura, finalmente
O Marechal que proclamou foi presidente
Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz,
Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade



domingo, 24 de fevereiro de 2013


A Escola
Gildo Alves Bezerra

Na escola
Projetos Antagônicos rolam: o da elite, que oprime
E o do trabalhador que nos defende da opressão.
                            Vejo no carnaval,
                            Do chão da escola,
                            As máscaras – da bondade
                            Na distribuição de pirulitos e
                           Coca-cola
                           O assistencialismo
                           Os cinismos
                           Na distribuição do peixe.
Na escola faltam condições digna de trabalho
Para ensinar e os jovens aprenderem
E entenderem o que é exclusão
E a política do pão e circo.

 Sala de informática
Até existe por lá
Só falta é interesse para disponibilizá-la
Ao educando.
                              Como entender
                              Alguém que os problemas da educação
                              Tenta esquecer
                              Qual bondade que existe em você?

sábado, 23 de fevereiro de 2013


A Cerca
Gildo Alves Bezerra

Nos Oprime
Reprime
Imprime
Angustia
E dor
Tudo foi o latifundiário
Quem mandou.

A quem da palavra
Faz seu labor
Negando os direitos
Dos professores.

Pensa que pra sempre nos calou.
Mas, nós somos educador.

Usaram a força da tortura,
A censura,
Suas origens de ditador
Quem sempre lutou
 Contra os direitos do professor
E demais trabalhador?

 Nossa ciência
sapiência
é de educador.

Sabemos que são vocês
O que pretendem
A não ser a concentração
De riquezas.

Alguns golpistas
São latifundiários:
De terras, comunicação, da justiça etc.
Por ai no poder
Muitos golpistas
Estão a ditar
E rolar
A mandar e desmandar.

 A história algum dia há de mudar
Pão e circo
Não será a ilusão
Para controlar minha
Nação.
Então, não teremos mais golpista civil-militar.
A mandar e demandar.